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  • Foto do escritorCamila de Aguiar

Mundo BANI: o que o Branding Pessoal tem a ver com isso?

Você já ouviu falar no Mundo Bani? Esse termo foi criado pelo antropólogo Jamais Cascio e é considerado a evolução natural do mundo VUCA, pois reflete a realidade das sociedades atuais.


Você provavelmente conhece a sigla VUCA. Em inglês, ela faz referência aos quatro pilares que caracterizariam o mundo atual: Volatility (volatilidade), Uncertainty (incerteza), Complexity (complexidade) e Ambiguity (ambiguidade).


Mas o grande ponto é: você sabia que esta sigla foi criada no final dos anos 1980? Pois bem, ela surgiu no currículo do colégio das forças armadas norte-americanas para versar sobre liderança estratégica em um contexto marcado, principalmente, pelo fim da Guerra Fria. Nos anos 1990, já havia se popularizado na área e, nos anos 2000, já aparecia, ainda que timidamente, em trabalhos científicos. O termo foi retomado com força em 2010¹, provavelmente por conta da crise da dívida pública europeia, quando passou a ganhar popularidade na internet. Desde então, vem sendo usado de forma compulsória para caracterizar um contexto que, nestes mais de 30 anos… Certamente já se reinventou.


Atenção: dizer que o Mundo VUCA foi superado não quer dizer que superamos seus conceitos em si, mas enfatizar que estes pontos são insuficientes para explicar o novo contexto — não caracterizam mais os seus pontos centrais.


Um novo acrônimo para uma nova era

Na busca por um acrônimo que pudesse resumir a contemporaneidade da mesma forma que o VUCA fez nos anos 1990, Jamais Cascio, historiador, antropólogo e futurista norte-americano, propôs um novo termo, partindo da constatação de que, hoje, nossa sociedade vive em meio ao caos. Assim, cunhou o termo BANI, que em inglês significa Brittle (frágil), Anxious (ansioso), Nonlinear (não-linear), and Incomprehensible (incompreensível). Ainda que tenha sido cunhado em 2018, durante um evento no Institute for The Future (IFTF), o acrônimo fala ainda mais sobre o mundo que encontramos hoje, em meio a uma pandemia global.



Cada uma das palavras relaciona-se ao contexto geral. Justamente por isso, pode ser aprofundada em diversas áreas. Em seu artigo, Cascio fala do sistema econômico e social como um todo (vale a pena a leitura). Neste artigo, vou fazer uma breve relação com carreira e Branding Pessoal. Pergunto: qual a relação do Mundo BANI com a Era do Indivíduo?


Frágil

“Fragilidade é força ilusória”, diz Cascio. Podemos relacionar fragilidade à Marca Pessoal quando pensamos na impermanência da reputação em tempos de hiperconectividade. Nas redes, temos a oportunidade de construir narrativas sólidas e coerentes, mas no fundo, somos todos, das pessoas públicas às comuns, frágeis. A atual cultura do cancelamento, por exemplo, é um sinal desta fragilidade. “Sistemas frágeis não falham graciosamente, eles se estilhaçam.” Por isso, no que diz respeito à Marca Pessoal, a verdade é a autenticidade são os únicos caminhos para tentar driblar esta fragilidade sistêmica que define nosso tempo.


Ansioso

O imediatismo das redes, a visibilidade de jovens “gênios” que criam produtos e empresas revolucionárias, a pressão para que, cada vez mais, sejamos os gestores de nós mesmos nos leva, inevitavelmente à ansiedade. Temos ânsia de ser mais, a todo momento. E quando o Branding entra em ação, também cai a ficha de que, para sermos mais, é preciso andar na contramão. Uma Marca Pessoal construída às pressas entra na lógica da fragilidade.


Não-linear

As trajetórias profissionais não-lineares representam uma das mais emblemáticas rupturas do Mundo VUCA para o BANI. Cada vez mais, o tempo médio de permanência em um mesmo emprego vem caindo radicalmente. Se antes a gestão da carreira do profissional era feita pela empresa, hoje ela recai nas mãos dos próprios profissionais, que com a melhora na qualidade de vida, podem escolher se comprometer com um propósito ou com uma profissão, mais do que com uma empresa. O aumento na qualidade de vida também faz com que nunca seja tarde para mudar de profissão, recomeçar. As carreiras não são lineares, e cultivar uma Marca Pessoal forte é sinônimo de poder encarar as transições com mais tranquilidade.


Incompreensível

Para Cascio, a incompreensibilidade é consequência da sobrecarga de informações que temos hoje em dia. O pesquisador usa o exemplo do programador que cria um código que foge à sua própria compreensão, mas também podemos ler a questão no sentido do usuário que não entende os algoritmos que ajudam a elevar a sua imagem ou a imagem da sua empresa, por exemplo. Em síntese, não compreendemos muitas das ferramentas que usamos — e isso é característico do nosso tempo. O que não quer dizer que não seja necessário tentar buscar a informação.


No final, a conclusão do olhar para o Mundo BANI e para a Marca Pessoal dentro deste contexto é a mesma: não temos o controle total daquilo que acontece conosco e ao nosso redor. Somos frágeis. Mas para cada palavra do Mundo BANI, há muitas respostas possíveis. Fragilidade, aponta Casci, poderia ser contraposto pela resiliência; a ansiedade, pela empatia e atenção plena; a não-linearidade, pelo contexto e pela flexibilidade; e incompreensibilidade, por transparência e intuição.


1. Dado coletado pelo Google Trends.

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